terça-feira, 23 de março de 2010

Heresias e Inquisição

Heresias e Inquisição

Perseguição às crenças diferentes da católica

Apesar do poder da Igreja, nem todos seguiram rigidamente as regras religiosas católicas. Muitas comunidades desenvolveram suas próprias crenças, como a adoração de animais ou vegetais, as adivinhações utilizando cartas (cartomancia), a “consulta” aos mortos (necromancia), os encantamentos para promover o amor ou a separação entre pessoas etc. Por essas crenças e práticas, muitas pessoas foram perseguidas, sendo acusadas de heréticas.

As heresias eram opções religiosas diferentes da doutrina católica, formadas, muitas vezes, de antigas crenças orientais, romanas, gregas e germânicas, existentes desde antes do predomínio cristão no intercâmbio entre as culturas.

Entre as principais heresias medievais estava a dos cátaros, que teve início na Europa central (atual Alemanha), no séc. XII, e expandiu-se para a região francesa de Albi, onde seus praticantes ficaram conhecidos como albigenes. Acreditavam em um deus do Bem e outro do Mal; Cristo era visto como enviado de Deus do Bem para libertar as almas salvas subiam ao céu após a morte do corpo, mas as almas pecadoras, como castigo, reencarnavam no corpo de um animal.

No séc. XII difundiu-se, em algumas regiões da França, a heresia dos valdenses, fundada por Pedro Valdês, rico comerciante de Lyon. Convertido ao cristianismo, Valdês distribuiu sua riqueza aos pobres, reuniu um grupo de adeptos e saiu pregando as virtudes da pobreza voluntária. Passaram a conflitar com a Igreja ao afirmar que os sacramentos não tinham valor se o padre que os ministrasse fosse pecador. A igreja defendia que os sacramentos sempre têm valor porque seus poderes vêm de Deus, e não do sacerdote.

Já a heresia dos patarinos, que se difundiu no séc. XII pela região onde se situam as cidades de Milão, Cremona e Florença, também questionava a validade dos sacramentos ministrados por sacerdotes pecadores.

Outra importante heresias medieval, o bogolismo, surgiu no séc. XI na região dos Bálcãs (na atual Bulgária) e sobreviveu até o séc. XV. Seus praticantes acreditavam que a Igreja de Roma fora corrompida pela riqueza e que o cristianismo verdadeiro existia apenas na pobreza e na vida simples. Além disso, combatiam o culto à Virgem Maria, aos santos e às imagens que havia nos templos.

Analisando as diferentes heresias, alguns historiadores interpretam esses movimentos como uma reação de grupos religiosos populares a vários aspectos do cristianismo daquele período: o despreparo de grande parte dos sacerdotes paróquias, desatentos às necessidades espirituais dos fiéis; a vida luxuosa do alto clero, mais preocupado com o acúmulo de bens materiais do que com a pregação evangélica; a aprovação da Igreja a um sistema social que explorava a maioria da população.

Para combater as heresias, o papa Gregório IX criou, em 1231, os Tribunais da Inquisição, cuja missão era descobrir e julgar os hereges*. Os condenados pela Inquisição eram “excomungados” (excluídos da comunidade dos católicos) e entregues às autoridades do Estado, que se encarregavam de puni-los. As penas aplicadas a cada caso iam desde o confisco de bens até a morte na fogueira.

A ação dos Tribunais da Inquisição estendeu-se por várias regiões européias (hoje correspondentes a países como França, Alemanha, Portugal e Espanha) e, posteriormente, a outras regiões do mundo onde o catolicismo foi implantado pelos europeus (América e Ásia).

Hereges* - pessoa que professa doutrina contrária à definida pela igreja.

Ayslane, Fabiane, Andressa, Elianderson 1° I

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